"Sim, me leva pra sempre, Beatriz Me ensina a não andar com os pés no chão Para sempre é sempre por um triz. Aí, diz quantos desastres tem na minha mão. Diz se é perigoso a gente ser feliz.

18
Mai 07
 

“Canção de Outono”

 

"A minha mãe diz sempre que foi por causa do Outono.
Que é sempre assim, quando a areia, o sol, o azul do mar e do céu ficam apenas na nossa memória.
Que as pessoas suportam mal o cheiro a naftalina das camisolas e dos casacos que tiram dos armários,fechados durante tanto tempo. Começam a espirrar, têm alergias e prometem mais uma vez lembrar-se com antecedência que os têm de tirar mais cedo para arejarem.
Então, diz a minha mãe, as pessoas ficam mesmo sem paciência. E gritam. E respondem torto. E têm saudades dos amigos que fizeram e que desapareceram.
E habituam-se mal aos espaços estreitos, aos horários, ao trânsito das ruas, ao telemóvel sempre a tocar uma melodia insuportável mas que têm preguiça de mudar. E – repete muitas vezes a minha mãe – às vezes dizem coisas que não querem. Como se as palavras estivessem cansadas de estar presas e desatinassem boca fora.
E nunca se pode culpar ninguém.
É o Outono, diz a minha mãe.
Nada a fazer. A minha mãe diz sempre que foi por causa do Outono.Mas eu não acredito que o meu pai tenha saído de casa por causa do Outono. Apesar do que diz a minha mãe.

 Passei rapidamente em revista todas as possíveis asneiras cometidas nesse dia, e na véspera, e não era capaz de encontrar nada que justificasse aquelas palavras e os olhos da minha mãe, subitamente tão castanhos. A minha mãe tem olhos verdes quando está bem disposta, e castanhos quando se zanga. O meu pai costumava dizer que bastava olhar para os olhos dela para saber que palavras iriam sair da sua boca.
– Temos de conversar – repetiu ela nessa tarde.

Nessa noite o meu pai não veio jantar.
Nem na outra.
Nem nas outras que se seguiram. Por causa do Outono, garantia a minha mãe. Por causa dessa tristeza que entra no coração das pessoas quando a chuva se anuncia.
– E quando houver sol, muito sol, o pai volta? – lembro-me de ter perguntado.
Mas a minha mãe não respondeu.

Só os olhos continuaram castanhos e húmidos. "

 

Alice Vieira

 

Uma história repetida vezes sem conta em vidas anónimas que perdem o rumo e o sentido...

Anónimas , sim ,  mas nem por isso deixam de existir.. .Tal como eu!

A minha vida é  exemplo do deserto de solidão e amargura que cada um destes casos  carrega no fundo do seu ser...mas continuo a viver ...e a lutar por um amor que me engrandece e dá força... O amor da minha filha , o único e verdadeiro amor da minha vida .

Obrigado por existires filha , és o meu abrigo...o meu porto seguro ...a razão do meu viver.

Amo-te minha filha...amar-te-ei até morrer e mesmo depois da morte ...o meu amor por ti continuará vivo como a estrela mais cintilante  do teu universo.

publicado por marisol2007 às 16:31
sinto-me: Feliz por te ter

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